Transformação tecnológica e transformação digital não são a mesma coisa.

18 de junho de 2018
 |  Joelson Vellozo
Mês passado estive no evento “Mindtalk” (https://mindtalk.al.gov.br/), organizado pelo Governo do Estado de Alagoas, que reuniu servidores (e também não-servidores) de vários lugares do Brasil para pensar a inovação no setor público.
A organização me presenteou com uma bela “provocação” ao indicar o título da minha fala: “O governo digital chegou. Estamos preparados?”. Há tanto o que se falar sobre este tema. Temos feito muita coisa a este respeito. No governo federal existe uma lista numerosa de pessoas envolvidas na temática e absolutamente prontas para compartilhar suas visões sobre o assunto. Mas era eu ali a falar. E para entregar uma mensagem rápida, em formato “Ted Talk”, de no máximo 18 minutos, eu precisava de um recorte muito específico do assunto. Foi assim que aconteceu:
  1. A prestação do serviço público custa caro para o cidadão: muitas vezes não nos atentamos a isso, mas o fato é que o tempo do usuário é ouro. Por conta disso, custa caro para ele passar pelo processo até a obtenção do direito ou o cumprimento do dever: conhecer o serviço, coletar documentos necessários, agendar o atendimento, realizar o traslado até um ponto de atendimento, aguardar etc.
  1. A solução é a tecnologia? É o governo digital? Depende do que entendemos por “digital”: não há muito tempo e a TV era aquele aparelho que nos apresentava uma programação fixa e apenas mudávamos o canal se nos deslocássemos até ela. O controle remoto nos trouxe a possibilidade de mudar o canal enquanto ainda estivéssemos sentados no conforto dos nossos sofás. Ainda assim, estávamos presos a uma programação fixa escolhida por pessoas mais preocupadas com conteúdo e horários que fizessem sentido comercial para elas — e não para os usuários. O VHS foi talvez a primeira experiência “on demand”, em que tínhamos alguma liberdade de escolha. O tempo passa e…hoje temos o programa/vídeo que quisermos na palma das nossas mãos. Qual foi o motor desta revolução? Foi a tecnologia? Na minha opinião, ela apenas viabilizou uma transformação que tinha outra origem: entender o que o usuário quer. Como usuários de serviços públicos que todos somos, nós queremos simplicidade e conforto.
  1. Estamos prontos? Sim, estamos. E o caminho já tem sido percorrido. Poderíamos ter começado mais cedo? Nada disso importa agora. Temos, hoje, uma bela oportunidade de avançar várias “casas” neste tabuleiro digital. A Plataforma de Cidadania Digital (www.planejamento.gov.br/cidadaniadigital) está apoiando órgãos do governo federal a modernizarem seus serviços. Isso aconteceu com o alistamento militar, agora acontece com o cadastramento de fornecedores do governo federal (SICAF) e muitos outros. E, para “entender o que o usuário quer”, para que o destinatário final desta transformação possa oferecer novas ideias sobre como simplificar um serviços, existe desde janeiro deste ano o canal Simplifique!, disponível na página de cada serviço no Portal de Serviços do Governo Federal – www.servicos.gov.br. O Simplifique!, na prática, “força” o Estado a ouvir o cidadão, devendo respondê-lo em até 30 dias. Este canal é a oportunidade que temos de transformar o problema de um na solução de milhares.
Abraço a todxs!
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