Segurança Cidadã: como os cidadãos podem coproduzir a segurança pública?

25 de outubro de 2019
 |  Josivania Farias

 

Person Gather Hand and Foot in Center

 

Quem não anda preocupado com a segurança pessoal e de sua família, não é mesmo? E o poder público, sozinho, parece não dar conta de coibir o aumento da criminalidade, muitas vezes dependendo da colaboração e o engajamento da sociedade para a prevenção e mitigação de ações criminosas nas vizinhanças.

Nós fizemos um estudo entrevistando 82 pessoas residentes no DF buscando identificar as formas de envolvimento do cidadão na segurança pública, considerando as atividades desempenhadas por esses cidadãos e sua propensão à coprodução da segurança no Distrito Federal.

Tratou-se de um estudo qualitativo-descritivo, realizado com 82 entrevistas semiestruturadas com cidadãos residentes no Distrito Federal, como dito acima, sendo 22 engajados em mecanismos formais de coprodução e 60 não engajados nesses mecanismos.

Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo, utilizando uma técnica de amostragem qualitativa denominada de saturação teórica.

Nesse estudo, concluiu-se que os sujeitos do estudo contribuem com a segurança pública por meio de ações de natureza preventiva e repressiva, sendo identificadas as formas de coprodução de informação, política, social, econômica, preventiva e repressiva. Quanto à propensão a coproduzir, constataram-se sete aspectos que tornariam os cidadãos mais propensos a coproduzir, ampliando a compreensão acerca do fenômeno da coprodução da segurança pública. Quem exemplos desses sete fatores de propensão do cidadão à coprodução da segurança? Pois bem, vejam alguns:

1) a interação com o provedor principal do serviço: se o cidadão interage com o ente público de segurança, se houver incentivos governamentais incentivando a comunidade a registrar ocorrências, por exemplo, a proximidade com os órgãos de segurança pública, a confiança em sua eficácia, então o cidadão poderá se mostrar mais propenso a coproduzir segurança pública;

2) o nível de satisfação do cidadão com a segurança. Vocês sabiam que às vezes essa relação é inversamente proporcional? Ou seja: quanto mais insatisfeito eu estou com a segurança do meu bairro, maior poderá ser a minha propensão a querer contribuir, me envolver em ações de segurança pública;

3) a crença na autodefesa (isso está ‘na moda’ ultimamente, como uma discussão polêmica mas que está “no radar” de todos nós, neste ano de 2019, sobre o porte e a posse de arma pelo cidadão comum, suas vantagens e desvantagens etc…;

4) o tempo disponível para engajar-se pode ser fator de propensão do cidadão para mobilizar-se em defesa de sua rua, seu bairro, sua vizinhança, por exemplo…;

5) os recursos disponíveis para investir em equipamentos de autoproteção. Por ex: compra de alarmes e câmeras filmadoras para a rua, a casa etc…;

6) o conhecimento que o cidadão tem sobre os meios de participação. Será que ele está bem esclarecido pelo poder público quanto à existência dos conselhos de segurança que existem nas diversas regiões, inclusive na região de sua residência? Por último, o fator

7) A mobilização coletiva, isto é, a atuação conjunta dos cidadãos para colaborar com a segurança. Muitas vezes, ‘uma andorinha só não faz verão”…

Nós (os autores) acreditamos que esse trabalho poderá trazer alguns insights e insumos que poderão ampliar os estudos e processos decisórios da SSP/DF e quaisquer outros entes públicos relacionados como tema segurança pública.

Bem, caso vocês tenham se interessado pelo tema, nós o convidamos para que leiam nosso artigo completo, recém-publicado na Revista CONTEXTUS, bastando clicar no link: < http://periodicos.ufc.br/contextus/article/view/41013 >

Sobre a autoria:

A autora principal desse trabalho é a Mestre em Administração pela UnB: Isabela Miranda Martins. Esse trabalho é um ‘pedaço’ de sua dissertação. E-mail: isa.mmartins.im@gmail.com

Eu, que fui orientadora de mestrado da Isabela e sou professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da UnB (PPGA), sou a segunda autora. Foi muito bom desenvolver esse estudo e nós aprendemos um pouquinho mais sobre o tema coprodução no setor público! E-mail: josivania@unb.br

Também colaborou com o trabalho o mestre em Administração Pública, pelo Mestrado Profissional (MPA da UnB), Lúcio Alves Ângelo Jr. – E-mail: luciojr.prof@gmail.com

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