O pensamento sistêmico como novo paradigma da ciência 3

O pensamento sistêmico como novo paradigma da ciência

06 de setembro de 2018
 |  Izabel Garcia

 

Maria José esteve na Enap dando um curso que compõe o conjunto de cursos da trilha de inovação.
Nesta edição do Enap Entrevista, trouxemos a mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, Maria José Esteves de Vasconcellos, que é a autora do livro “Pensamento sistêmico: o novo paradigma da Ciência”, que está na sua 11ª edição, inclusive com uma tradução para o inglês.

Maria tem experiência na área de Divulgação Científica, com ênfase em Novo Paradigma da Ciência e em seu livro, apresenta desde as origens do paradigma do conhecimento científico até as evoluções e transformações que esse paradigma sofreu ao longo do tempo, apontando também para novas formas de perceber e enxergar o mundo, pensando sistemicamente.

“Eu concebo o pensamento sistêmico como novo paradigma da ciência, e eu tomo a noção de paradigma como pressuposto, crença, premissa do cientista. Os cientistas vinham trabalhando tradicionalmente com os três pressupostos: o pressuposto da simplicidade do microscópico, que leva o cientista a separar o todo em partes e abordar as partes uma a uma. O outro pressuposto é o pressuposto de que o mundo é estável e de que ele pode ser descrito por princípios, ou leis, que descrevam esse mundo estável. E o terceiro pressuposto, que é a crença de que é possível a gente conhecer objetivamente o mundo.”, afirma a professora Esteves de Vasconcellos.

Nessa entrevista, a autora demonstra não só sua genuína compreensão do processo criativo dos que forjaram o pensamento sistêmico de nossa época, como também sua capacidade rara de interconectar modelos complexos numa trama coerente. Fala também sobre como essa nova visão, especialmente a de cocriação, pode mudar a forma de fazer política pública e trazer inovação para o governo.

 

O que é o pensamento sistêmico?

 

O pensamento sistêmico é uma forma de abordagem da realidade que surgiu no século XX, em contraposição ao pensamento “reducionista-mecanicista” herdado dos filósofos da Revolução Científica do século XVII, como Descartes, Francis Bacon e Newton.

O pensamento sistêmico não nega a racionalidade científica, mas acredita que ela não oferece parâmetros suficientes para o desenvolvimento humano e para descrição do universo material, e por isso deve ser desenvolvida conjuntamente com a subjetividade das artes e das diversas tradições espirituais. Isto se deve à limitação do método científico e da análise quando aplicadas nos estudos de física subatômica (onde se encontram as forças que compõem todo o universo), biologia, medicina e ciências humanas.

É visto como componente do paradigma emergente, que tem como representantes cientistas, pesquisadores, filósofos e intelectuais de vários campos. O pensamento sistêmico inclui a interdisciplinaridade.

Uma “visão sistêmica” é uma maneira importante de pensar a respeito de melhorias. Isto significa ver a organização mudando com o tempo para melhor satisfazer às necessidades do cliente. O sistema é composto de pessoas, departamentos, equipamentos, instalações, processos e produtos interdependentes, todos trabalhando em direção a um propósito comum.

Ainda que isto possa soar como uma novidade, todos nós já fazemos parte de muitos sistemas – nossa família, nossa comunidade, nosso estado, o lugar onde nós trabalhamos, etc. Estes são apenas alguns sistemas que vêm à mente. O conceito de sistema é uma estrutura útil para pensarmos sobre melhorias.

Confira o vídeo da entrevista:

0

Posts Relacionados



0 Comentários

Deixe um comentário:

Assine nossa revista


POSTS PUBLICADOS

Agencia Mobidick