Inovação, esta velha amiga.

07 de setembro de 2019
 |  Marcos Flores

Inovação, esta velha amiga.

Desde que comecei a trabalhar com o tema inovação, há algo próximo de uns 4 anos atrás, eu li, conversei, ouvi e assisti muita coisa sobre o ato de inovar, a importância da inovação, como a inovação faz a história girar… mas pera aí, história??? História é coisa velha e inovação é coisa assim… bem, nova. Com certeza não se encaixam, não é?

Não é. O ato de inovar, tentar resolver problemas por meios diferentes e andar por caminhos não mapeados é algo tão antigo quanto o próprio homem. Nós inovamos ao criar linguagens, inovamos ao nos organizar em sociedades, ao construir edificações e ferramentas, ao explorar e povoar o mundo, ao criar explicações mitológicas ou científicas para o que ocorria a nossa volta, enfim, a cada passo que demos para construir o homem de hoje, lá estava a inovação conosco. Nós criamos leis, tradições e costumes para nos proteger, proteger nossas propriedades e não perder o que construímos, mas para chegarmos ao ponto onde estes mecanismos de proteção foram necessários,  e inclusive para perceber esta necessidade e conceber e implementar estes mecanismos, a inovação foi nossa companheira constante.

Vamos a um exemplo prático e mais próximo de nós. Hoje estamos comemorando 197 anos da criação política de nosso país, quando nos separamos de Portugal para virarmos um país independente. E o número de inovações envolvidas neste ato é muito grande.

Para começar,  a própria existência de nações independentes não era algo muito consolidado ainda, a prática ainda predominante era de impérios com colônias espalhadas pelo mundo. Ao declarar a independência em 7 de setembro de 1822, o Brasil se tornava o 51° país da comunidade internacional do momento, um número pouco maior que um quarto dos 193 países hoje reconhecidos pela ONU, e grande parte deles tendo apenas 50 anos ou menos de independência. Na data existia um continente inteiro, a Oceania, sem uma nação independente em seu solo, só colônias. A África tinha 3 nações independentes (Egito, Etiópia e Marrocos), com mais 15 nações nas Américas (além do Brasil) 14 na Ásia e 18 na Europa. Ser independente, ter um povo administrado por ele mesmo era novidade na maior parte do mundo à época.

Outra novidade foi a independência sem quebra de governo e, principalmente, de trono. Nós fomos uma das poucas exceções no período a fazer a transição mantendo não só a forma de organização do governo como inclusive o próprio governante. O príncipe regente se tornou imperador, mas o Império e o trono permaneceram, só que agora no Brasil.

A isso se acrescenta uma terceira novidade para a forma como as coisas eram feitas ao tempo: nós fomos o único caso em que todos os territórios coloniais da região se tornaram uma única nação, que se manteve igual até hoje salvo duas exceções: a separação da República Cisplatina, hoje Uruguai, e a incorporação do território que hoje forma o estado do Acre. Em nenhum outro caso isso ocorreu. As colônias espanholas na América se dividiram em vários países, as colônias inglesas na América do Norte se dividiram entre as separatistas que se tornaram o atual Estados Unidos e as que permaneceram leais ao trono inglês e que, mais tarde, formariam o Canadá.

Eu poderia escrever parágrafos e mais parágrafos falando sobre mais aspectos inovadores deste fato e de outros na nossa história, mas acho que já comseguimos perceber alfo importante de nós e que precisamos lembrar: a inovação é componente básico do comportamento humano e um que nós, brasileiros, sempre tivemos muito presente em nossa história e nossa cultura. E, por mais contraditório que a primeira vista isso possa parecer, a inovação não significa abandonar ou negar nossas tradições ou nossa história. Muito pelo contrário, a inovação é nossa tradição e faz parte da nossa história e, com certeza, continua e continuará a ser.

Um ótimo 7 de setembro a todos, que as inovações comemoradas inspirem ainda mais inovações por vir.

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