Felicidade urgente :)

Felicidade urgente :)

26 de janeiro de 2018
 |  Bruno Palvarini

O álbum “Double Fantasy” de John Lennon nasceu do retorno da vontade de compor e de gravar que o ex-beatle começou a sentir após cinco anos em que resolveu “ficar em casa, assar o pão do dia-a-dia e cuidar do filho”, enquanto Yoko assumia o controle dos negócios

Uma temporada de férias nas Bermudas foi o suficiente para que uma onda criativa tomasse sua mente e eram frequentes os telefonemas para a esposa a qualquer hora a fim de mostrarem mutuamente as canções que começavam a criar. A ideia de uma conversa de casal permeia todas as faixas, que vão se sucedendo intercaladas – uma música de John, outra de Yoko – até o fim.

 

Como em toda a obra de Lennon, em “Double Fantasy” há verdadeira gemas preciosas: “Starting Over” tornou-se um hit instantâneo ao celebrar a redescoberta do amor conjugal, “Beautiful Boy” traz uma emocionante conversa entre pai e filho – com o adulto afirmando ser a vida “aquilo que ocorre contigo enquanto se está ocupado fazendo outros planos” – e “Watching the Wheels” fala do artista olhando as engrenagens do show-business de fora, ao mesmo tempo em que as pessoas o julgam por ele “não ser mais o cara”.

 

No meio da canção, Lennon faz uma afirmação memorável, quando vê que todos à sua volta estão confusos: “eu digo a eles que não há problemas, só soluções”. Boa parte – senão a maioria – de nossos métodos e abordagens de gestão gostam de tratar problemas, de viver as disfunções. Há realmente uma “cultura da doença” instalada em nossa sociedade, que acaba por considerar saúde como a ausência da doença – e não um estado superior de bem-estar e de realização. As formas tradicionais de promover melhorias em processos e serviços, invariavelmente, trazem etapas desgastantes de observação e registro de uma situação atual e discussão profunda daquilo que não está funcionando bem. Ao procedermos assim, além de consumirmos um tempo precioso que não dispomos, ficamos bloqueados pelo legado em nossa criatividade de propor inovações e de “baixo astral” ao perceber que as coisas não funcionam como desejávamos.

 

Certa vez, um médico amigo foi passar férias em Cabo Frio e, depois da praia, resolveu almoçar em um dos restaurantes à beira- mar. Para acompanhar o prato, pediu um refrescante suco de laranja, com a recomendação de que fosse servido sem açúcar. Quando já havia bebido a metade do suco, percebeu um grosso colar de açúcar repousando no fundo do copo. Revoltado, chamou o garçom e foi reclamando:

 

– Mas eu não havia pedido “suco de laranja sem açúcar”? Eu sou diabético, posso morrer com essa quantidade que você misturou no meu copo!

 

– Ah, e eu ia saber, doutor? A laranja veio tão azeda, mas tão azeda, que se eu servisse o suco sem adoçá-lo, aí sim o senhor é que ficaria azedo…

 

Outro amigo, também médico, diz que a melhor saída para um caso desses é “apostar na doença”. Explicando melhor: se você resolve investir na saúde e decide, por exemplo, eliminar um determinado alimento de sua dieta (por achar que ele não é um bom nutriente), a chance de uma surpresa como a da história do garçom é bem alta.

 

Porém, se você “apostar na doença”, tudo ficará bem. É só responder ao lhe perguntarem o porquê de não provar um determinado prato:

 

– Não posso comer, tenho uma doença grave que pode até me matar se eu ingerir um pouquinho que seja. Obrigado.

 

Claro que se trata uma brincadeira e de um exagero – mas tente você inverter a lógica do seu próximo trabalho de aprimoramento de um serviço (ou de um processo) e, em vez de só problemas, abra espaço para pensar em soluções logo de início. Identifique os resultados pretendidos e comece imediatamente a registrar quais seriam as características “de saúde” que eles deveriam apresentar, ou seja, o que eles deveriam conter para servirem aos que deles vão se utilizar.

 

Aposte na solução e na felicidade, pois como também dizia John Lennon, “perguntaram-me o que eu queria ser quando crescesse, e eu respondi: – Feliz!”

2

Posts Relacionados



2 Comentários

  • Izabel Garcia
    Izabel Garcia disse:

    Muito bom, Bruno! Me lembrou um post que já li no Quartinho da Dany. Ela dizia mais ou menos assim:
    Quando compro algum produto diferente e caro para meus filhos e me perguntam por quê, quando respondo “porque é saudável”, as pessoas pensam que sou chata, metida, arrogante… Quando compro um produto diferente e caro pra mim e digo que é para emagrecer, logo elas ficam super interessadas, querem saber como usar, onde compra etc.
    É exatamente o que vc diz, a sociedade não quer que cultivemos a saúde…

Deixe um comentário:

Assine nossa revista


POSTS PUBLICADOS

Agencia Mobidick