Estamos prontos para o

Estamos prontos para o “10”?

16 de janeiro de 2018
 |  Joelson Vellozo

Recentemente, um programa de TV veiculou matéria sobre a histórica apresentação da ginasta Nadia Comaneci, em Montreal, no Canadá. Era 18 de julho de 1976 e Nadia conseguiu o que era improvável até aquele momento: uma apresentação perfeita. Por nunca ter acontecido — e de tão improvável que finalmente acontecesse –, a nota 10 da ginasta não pôde nem ser apresentada no placar, que somente registrou “1.00”.

Vendo a história daquele “10”, comecei a pensar sobre a excelência no esporte, os desafios do alto desempenho e que tipo de mindset gera atletas tão fenomenais quanto a Nadia. Não me custou muito, no entanto, para rapidamente começar a refletir sobre como esta tal de excelência vem sendo falada e, acima de tudo, praticada no setor público. “Quando teremos o nosso 10? Será o nosso 10 tão improvável quanto era aquele na época da Nadia?”, pensei.

Fato é que já falamos muito de excelência na gestão pública. Como ex-coordenador do GESPÚBLICA, fui bastante exposto à história deste debate. Ao longo das últimas décadas, muita gente se reuniu ao redor da mesma mesa, grandes redes de colaboração foram formadas, muita coisa foi escrita e muita organização foi premiada por suas práticas. Anos se passaram e, sem dúvida, há organizações públicas de excelência — algumas, inclusive, reconhecidas internacionalmente pelo o seu trabalho. Mas é certo que elas não são em número ou relevância suficientes para mudar o quadro que cidadãos e empresas no Brasil desenham em suas mentes quando pensam nos (ou vivenciam os) serviços públicos que consomem. No dia-a-dia mais comum à maioria dos brasileiros e brasileiras, ainda somos insuficientes na provisão de serviços públicos dignos do selo de excelência.

Na minha humilde opinião, parte do problema é que a excelência foi mais falada que feita! E, ao falarmos, frequentemente produzimos apenas “conversas com o espelho”. De forma autorreferente, esquecemos com facilidade que o expert em serviços públicos é o cidadão. Assim, nossa excelência não vem daquilo que falamos, mas daquilo que podemos ouvir.

Desde ontem, dia 15 de janeiro, está no ar o SIMPLIFIQUE! Trata-se de um canal de comunicação feito para o cidadão emprestar um pouco da sua expertise e sugerir uma simplificação para o serviço público. Este canal foi criado pelo Decreto nº 9.094/17, mas parte do entendimento de que não basta “decretar a simplicidade”. É preciso dar instrumentos para que ela ocorra.

Assim, de um lado, o SIMPLIFIQUE! oferece uma solução simples, transparente e digital para que o Estado receba subsídios de seus especialistas em serviços públicos e se comprometa com eles na oferta de uma solução ou resposta. De outro, também no âmbito do Programa Brasil Eficiente, o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão vem desenvolvendo e entregando soluções metodológicas e tecnológicas práticas, de uso imediato e comum dos órgãos públicos para promover a transformação de seus serviços, com foco na digitalização (veja mais em www.planejamento.gov.br/cidadaniadigital).

Ahhhhh… e sobre a nossa nota 10? Afirmo sem receio: estamos cada dia mais próximos dela. Já temos um cardápio de soluções (e crescendo!) que formam uma combinação imbatível de ingredientes: tecnologia, simplicidade e transparência. Retirando do prato o velho “medo de errar”e adicionando, com exagero, a escuta ativa e a coragem de testar junto com o usuário, a nota 10 é só questão de tempo.

Vamos nessa, atletas servidores! :o)

 

 

 

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