É possível usar blockchain no setor público?

É possível usar blockchain no setor público?

18 de dezembro de 2017
 |  Marcos Ricardo dos Santos

Muita gente tem falado sobre Bitcoin, uma criptomoeda que vem crescendo (e se valorizando!) muito rapidamente em todo o mundo. As criptomoedas são vistas como uma tecnologia disruptiva, pois mudam a lógica das moedas tradicionais: elas não são garantidas por uma autoridade estatal (Banco Central) – são inteiramente baseadas na confiança que seus usuários têm na rede que construíram.

Essa confiança se fundamenta na tecnologia que está por trás dos Bitcoins, que se chama blockchain. Ela foi pensada como uma forma de que todas as transações fossem registradas e não houvesse um jeito de burlar esse registro, evitando, assim, que alguém criasse moeda do nada ou vendesse a mesma moeda para duas pessoas diferentes. A tecnologia blockchain resolve esse problema, pois criou uma maneira de registrar qualquer informação, de tal forma que ninguém consegue alterar ou apagar os registros.

A ideia é simples: cada informação que se quer registrar é criptografada e gera uma espécie de código chamado hash, que é registrado em um bloco de informação. Uma parte dessa hash é utilizada para compor o código que é inserido do bloco seguinte, criando uma cadeia de blocos ligados entre si, no qual cada bloco contém uma parte da informação anterior. Com isso, gera-se uma espécie de “impressão digital” para cada informação registrada, a qual, se for alterada, deixa uma marca. Na prática, sempre é possível verificar se aquela informação é original ou se foi alterada por alguém.

Em resumo, o que faz do blockchain uma tecnologia tão promissora são as características de um sistema seguro (imutável e inviolável), distribuído (as transações são confirmadas por diversas pessoas), compartilhado (é a rede que valida o sistema e as transações) e transparente (as regras são claras e aplicadas a todos).

Um exemplo concreto no qual a tecnologia blockchain poderia ser utilizada no setor público é o de registro de notas, tais como certidões de nascimento ou casamento, procurações ou registro de imóveis. Com a tecnologia disponível hoje, já seria possível construir uma blockchain na qual se registrassem informações com fé pública, tais como nascimentos, casamentos, óbitos ou transferências de propriedades – mesmo que de uma forma que apenas quem tivesse fé pública pudesse registrar, mas que estivesse disponível para consulta por qualquer pessoa.

Alguém da rede conhece alguma experiência que já esteja usando blockchain no setor público? Para que outras áreas de aplicação no setor público seria possível pensarmos para o uso de blockchain? Seria ótimo ouvir comentários a respeito desse tempo dos membros da rede Inovagov!

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