Desenvolvendo políticas públicas na era digital

Desenvolvendo políticas públicas na era digital

29 de maio de 2018
 |  Manoela Hartz

O artigo de Andrew Greenway* e Richard Pope* começa com a seguinte frase: “Uma semana é muito tempo para a política. Deveria ser um longo tempo para a política pública também”.

Em um mundo onde os serviços são mais rapidamente prototipados e entregues do que nunca, como as políticas públicas podem se tornar mais ágeis, mais transparentes e mais sintonizadas com as complexidades da era digital?

Em grandes organizações, as ideias são baratas. Mas, por muito tempo, transformá-las em realidade não era. Porém, isso está mudando. Por meio do design e outras práticas é possível prototipar serviços totalmente novos e iterar os já existentes de forma rápida. Equipes que trabalham com serviços digitais podem testá-los junto aos seus usuários quase que em tempo real. Insights que levaram anos para surgir podem, agora, ser descobertos em dias ou semanas.

Os efeitos dessa tendência podem ser vistos em todos os lugares. Ciclos mais curtos são cada vez mais frequentes nos serviços governamentais. Por exemplo, o Serviço Digital do Governo do Reino Unido criou um serviço de petições eletrônicas em 12 semanas. O governo peruano criou uma nova carteira de habilitação provisória digital em três meses.

No entanto, embora o projeto e a construção de serviços tenham se tornado mais rápidos e menos lineares, o desenvolvimento de políticas públicas – definindo o conjunto de regras e escolhas que moldam um serviço público – permaneceu basicamente o mesmo. A maioria das políticas tende a ser resultado de: 1) um trabalho de uma equipe específica separada daquela encarregada pela sua implementação e 2) um processo longo e doloroso.

Isso é um problema, porque políticas e serviços são inseparáveis. Na percepção da maioria das pessoas sobre o Estado, a política é o serviço, é a instituição. Quando a política é quebrada, o serviço falha. E quando o serviço falha, a confiança na instituição que o fornece diminui.

Então, quais seriam os ingredientes necessários para um bom desenvolvimento da política pública na era digital?

  1. Definir uma visão por meio da prototipagem –  é uma maneira eficaz de comunicar uma política complexa, mostrando de fato como ela pode funcionar. Pode ajudar stakeholders a pensarem “fora da caixa” e a considerarem alternativas ousadas.
  2. Equipes multidisciplinares – facilita a compreensão adequada dos tradeoffs envolvidos, mas todas as pessoas precisam ser parte integral da equipe.
  3. Entender as limitações da tecnologia – boas políticas exigem um entendimento das limitações e oportunidades da tecnologia que será usada para executá-las.
  4. Mudança no mundo real, não na inovação em si – embora os formuladores de políticas precisem criar espaço para experimentar e inovar, o desafio é garantir que o que é aprendido não seja deixado na periferia ou aplicado apenas a coisas com pouco impacto político ou social. A oportunidade real é reduzir os ciclos e melhorar, testando os serviços em uso pelo público de forma mais rápida.
  5. Ainda é preciso ser transparente – o primeiro passo é encontrar líderes que depositem confiança na equipe que faz o trabalho. Esses líderes darão às equipes o espaço e o poder para fazer a coisa certa. No entanto, a confiança não é tudo. Fornecer feedback às pessoas responsáveis ​​pela eficácia do serviço de políticas é fundamental. A prestação de contas não deve ser um evento pontual, que acontece no final de um programa, quando a poeira baixou e os incêndios se apagaram. Deve ser tão iterativo quanto a equipe que fornece o serviço e projeta a política.
  6. Política não é apenas trabalho de governo – as equipes de políticas públicas em empresas e em instituições do terceiro setor também devem adotar essa abordagem.

Ideias inspiradoras para se repensar e redesenhar os serviços públicos no Brasil, não é mesmo?

Leia o artigo completo!

 

*Andrew Greenway e Richard Pope foram responsáveis ​​pelo desenvolvimento do Digital Service Standard do governo do Reino Unido em 2013, onde todos os serviços do governo central são avaliados.

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