Depressão já tem até tratamento virtual

Depressão já tem até tratamento virtual

16 de julho de 2018
 |  Talita Dantas

Responsável por boa parte dos afastamentos para tratamento da própria saúde no âmbito do serviço público, a depressão é uma doença que afeta um grande número de servidores.  Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que aproximadamente 322 milhões de pessoas no mundo, sendo que 11,5 milhões de brasileiros sofrem com essa doença. Trata-se de uma condição psíquica potencialmente grave, que se relaciona a grande parte dos suicídios. Ainda assim, em muitos casos, a negligenciamos. Tratamos como frescura. Contribuímos para a manutenção do estigma em relação a ela. Nosso preconceito pode estar nos matando lentamente.

Depressão, a vitalidade que se esvai

Resultado de imagem para "O Demônio do meio dia"

 

Andrew Solomon, autor de “O Demônio do meio dia”, ressalta se tratar da doença mais incapacitante do mundo, responsável por inúmeras mortes todos os dias. Segundo ele, ao contrário do que costumamos pensar, o oposto de depressão não é felicidade, é vitalidade. A depressão pode ser entendida , portanto, como a ausência de vitalidade que torna difíceis a realização de coisas simples, como dirigir, tomar banho ou falar ao telefone:

Algo que sempre se esquece em discussões sobre depressão, é que sabemos que isso é ridículo. Sabemos disso, quando a vivenciamos. Sabemos que a maioria consegue ouvir as mensagens, almoçar, tomar banho sair de casa, e que não é nada demais. Ainda assim, você fica inerte e incapaz de pensar em uma saída. Assim, comecei a sentir que agia menos, pensava menos, e sentia menos. Era uma espécie de anulação.

Via de regra, a depressão é rotulada como uma doença ocidental moderna e de classe média. Isso é um mito. Solomon chama atenção para o fato de se tratar de uma resultante da “vulnerabilidade genética, distribuída igualitariamente na população, e circunstâncias desencadeadoras, que costumam ser mais severas em pessoas mais pobres”. Todavia, a falta de informação por parte da população mais carente e de acesso a tratamento acaba por favorecer que se vivam epidemias de depressão entre os mais pobres sem que haja qualquer intervenção nesse sentido.

Aceitação – o primeiro passo para a melhora

Ou seja, a depressão é uma doença que não discrimina as pessoas por classe social, raça, credo, sexo ou qualquer outra peculiaridade. E um dos fatores que intrigou Solomon foi justamente o fato de algumas das pessoas que convivem com ela se mostram mais resilientes do que outras, mais capazes de perseguir a vitalidade perdida. Acerca disso, ele diz:

Cheguei à conclusão de que quem renega sua experiência, e diz: “Estive deprimido há muito tempo e nunca mais quero pensar ou saber disso, e vou apenas seguir com a vida”, ironicamente, essas são as pessoas mais escravizadas pelo que têm. Afastar a depressão a fortalece. Ao se esconder dela, ela cresce. E as pessoas que se dão melhor são as capazes de suportar o fato de terem essa condição. Aqueles que consegue aceitar a depressão são os que encontram resiliência.

Dessa maneira, o melhor caminho é reconhecer sua existência. Negar essa condição é contribuir para que ela se alongue ou, na pior das hipóteses, tenha um desfecho trágico. Ao aceitarmos que temos uma doença, podemos nos concentrar em encontrar a melhor solução para o nosso caso.

A comunicação que cura

Hoje, há inúmeros tratamentos para a depressão. Via de regra, a intervenção química por meio de antidepressivos – os quais comumente têm inúmeros efeitos colaterais – deve ser resguardada para os casos de depressão moderada a grave. A cura pela fala, no entanto, é indicada em qualquer dos casos.

Segundo a médica Neha Sangwan, saber ouvir a si próprio é importante não só de casos de depressão, mas de todas as doenças. Desde que aprendamos a ouvir o que elas têm as nos dizer. Melhorar a comunicação conosco mesmos, com nossos anseios e sentimentos, bem como com as pessoas a nosso redor é de extrema importância para o nosso bem-estar.

De acordo com Neha:

Quando meu corpo me forçou a ir mais devagar, eu comecei a escrever um diário. Foi a partir dessa escrita e autorreflexão que eu finalmente ouvi a voz do meu próprio coração. Eu descobri que não era ser médica que me fazia infeliz, era a minha inabilidade de me comunicar claramente comigo mesma e com os outros que havia criado o stress que me levou ao burn out. (tradução livre)

No vídeo abaixo, Neha conta como passou a combinar a arte da comunicação com a ciência da medicina, para ensinar as pessoas a interpretarem os sinais enviados por seus corpos. A partir das perguntas certas, ela afirma ser possível reduzir o stress e aumentar a saúde e a vitalidade.

A experiência virtual que promete ajudar

Apostando na ideia de melhorar a comunicação conosco mesmos e de oferecer “uma experiência interativa, personalizada e conveniente, via web, com efeito terapêutico comprovado para o cuidado aos pacientes com depressão“, foi criado o Deprexys, ” uma ferramenta médica certificada que visa ajudar pacientes a mudar hábitos de pensamento e padrões comportamentais muitas vezes presentes na depressão”.

Trata-se de um site, baseado na teoria cognitivo-comportamental que oferece suporte aos pacientes com depressão, os quais podem utilizar o software de forma flexível e individualizada.

De acordo com os dados informados no site, onze estudos mostram a eficácia do tratamento, o qual requer indicação de um médico, cujo CRM deve ser informado no momento da compra do código de acesso. A experiência de 90 dias se propõe a ser um terapeuta móvel, acessível a qualquer hora do dia. É possível fazer um teste gratuito da ferramenta no site.

O importante é buscar ajuda

O próprio Deprexys reconhece que muitas pessoas podem achar estranha a ideia de conversar com um computador. Outras talvez podem se sentir mais confortáveis em saber que não estão compartilhando suas dores mais íntimas com outro ser-humano. Seja lá qual for a hipótese, o importante é buscar ajuda. Com um terapeuta presencial, com um atendente virtual, por meio de terapias integrativas, corporais ou meditativas. Depressão tem tratamento e é possível recobrar a vitalidade e o bem-estar.

 

 

 

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