Banco de cérebros (

Banco de cérebros (“redux”…)

04 de janeiro de 2018
 |  Bruno Palvarini

Início de ano é época de resoluções, de olharmos criticamente para o que fizemos – e de uma certa preguiça…

Quando esses três fatores se juntam coisas interessantes costumam ocorrer, como encontrar um post publicado em outra plataforma há mais de dois anos e que parece ainda atual quando o tema é inovação – pelo menos, para quem está sem inspiração para escrever algo novo 🙁

Lá vai:

O livro “Criatividade S.A. – superando as forças invisíveis que ficam no caminho da verdadeira inspiração”, de Ed Catmull, apresenta a visão de um dos presidentes do estúdio de animação Disney / Pixar, reconhecido como uma das organizações mais inovadoras dos nossos tempos. Em seu capítulo 5 é apresentada uma prática da empresa considerada como um dos grandes trunfos de seu processo de criação: os chamados “bancos de cérebros”.

A Pixar descobriu com o passar dos anos que todos os seus filmes, no início de seu desenvolvimento, “são uma droga” (palavras de Catmull), o que abre espaço para que ninguém fique na defensiva ao receber contribuições para melhorar o produto final.

Parece óbvio que uma organização que lida com criatividade como foco principal precise inovar constantemente e, ao mesmo tempo, agradar seus clientes – senão, como pensar em um desenho animado a ser distribuído em escala mundial, para culturas diferentes, fazendo sucesso universal e ainda sendo alicerce de um conjunto de outros negócios como parques temáticos e produtos associados? Os bancos de cérebros são reuniões entre os criadores de uma obra (diretor e roteirista, por exemplo) e outros competentes profissionais, também ligados à criação, que podem e devem dar palpites com o objetivo de aprimorar o filme e torná-lo mais imune a riscos.

A ideia é simples mas sua execução depende de algumas premissas inegociáveis. A primeira delas já foi mencionada no parágrafo anterior – é preciso juntar pessoas inteligentes e apaixonadas, com competência para criar e vontade de se expressar, não importando se é a moça do cafezinho ou o vice-presidente da empresa (conta-se que o próprio Steve Jobs, sócio da Pixar, nunca participou de uma reuniões dessas, por não se achar capaz de contribuir com criação de animações). A segunda premissa, no entanto, talvez seja a mais importante de todas: é preciso haver sinceridade na comunicação. Deixando os egos do lado de fora da sala, todos que participam de um banco de cérebros se enxergam como co-responsáveis pela solução que é buscada, nunca deixando que ideias individuais se sobreponham aos objetivos comuns ou que divergências em relação a determinados pontos sejam vistas como questões pessoais. Catmull diz que é um ambiente de muito amor – apesar do volume das acaloradas discussões poder sugerir o contrário. A terceira característica marcante de um banco de cérebros é a orientação de buscar soluções para questões identificadas.

Sendo bem diferente de um processo tradicional de brainstorming (até porque há uma etapa inicial individual em que os criadores esboçam uma primeira versão a ser debatida e, ao contrário daquela técnica, a crítica é estimulada), os bancos tornam-se um lugar seguro (quem escuta prepara-se para abrir mão de ideias que pareçam não funcionar, e quem sugere não busca receber crédito pelo palpite ou agradar seus superiores) e não há prescrição quanto ao que foi debatido – a última palavra ainda cabe ao responsável pelo projeto.

Porém, como há confiança nos competentes pares escolhidos e como, segundo o ditado, “nós somos melhores que eu”, a roda criativa gira constantemente e dá bons frutos.

Algumas páginas depois de apresentar os “bancos”, Catmull afirma que os modelos de produção tradicionais “livres de falhas”, no caso de empreendimentos criativos, são piores que inúteis: são contraproducentes. É preciso rapidamente sair do modelo inanimado para a vida real, comunicar os desejos, incorporar melhorias e evoluir o processo continuamente.

Feliz 2018!!!

 

Banco de cérebros (reloaded...)

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