Avaliação de projetos de inovação (Parte 2 de 3)

30 de dezembro de 2016
 |  Coordenação Sustentação DEIOP
Fonte: @OPSIgov
Com mais iniciativas de inovação e projetos sendo implementados, cresce a necessidade de métodos para avaliar e aprender. 
A recente reunião de Laboratórios de Política e Inovação Europeia em Bruxelas ecoou a importância de medir os impactos e o valor agregado dos esforços de inovação. 
Na tentativa de responder a esta procura, a OPSI e o Laboratório de Políticas da UE do Centro Comum de Investigação (CCI) decidiram trabalhar em conjunto no desenvolvimento de um modelo de avaliação para iniciativas de inovação. O objetivo é obter e comparar abordagens e metodologias que podem ser usadas para avaliar projetos de inovação e identificar elementos comuns que  permitam que os resultados sejam compilados e comparados entre projetos.
O workshop – organizado conjuntamente pela OPSI e pelo Laboratório de Políticas da UE do CCI – foi o primeiro passo neste sentido. Seu objetivo foi aproveitar o conhecimento e a experiência dos participantes para iniciar o co-desenho de um modelo para medir o impacto dos projetos de inovação no setor público. 
Fonte: @OPSIgov
O resultado foi a identificação dos elementos-chave e um roteiro para um processo de concepção para 2017. Este exercício também contribuiu para o próximo trabalho da OPSI no âmbito do projeto Horizonte 2020 da União Européia sobre o kit de inovação e indicadores para a inovação do setor público.
As boas-vindas aos participantes e as observações iniciais foram feitas pela;
  • Ministra Maria Manuel Leitão Marques, Ministra da Presidência e da Modernização da Administração (Portugal).
  • Virginie Madelin, Director Interministerial para Acompanhamento das Transformações Públicas (França)
Fonte: @OPSIgov
Após o almoço, antes de retomar as sessões da oficina, os participantes também ouviram as falas de:
  • Nicolas Conso, Vice-Diretor Interministerial para o Acompanhamento das Transformações Públicas (França)
  • Rolf Alter, Diretor de Governança Pública e Desenvolvimento Territorial, OCDE
Fonte: @OPSIgov
A oficina foi retomada com a realização das seguintes etapas, conduzidas pelas equipes da OCDE:
  • Passo 1: Mapeamento do estado da arte
  • Passo 2: Rascunho do modelo
  • Passo 3: Trabalhando em casos de inovação
  • Passo 4: Consolidação

Pontos de interesse iniciais

Seguem-se alguns pontos preliminares de interesse discutidos ou levantados na oficina de avaliação da inovação na terça-feira, 13 de Dezembro de 2016. 

A natureza dos projetos inovadores

  • Existem projetos não-inovadores, ou todos os projetos envolvem algum grau de prática inovadora e engajamento com a incerteza? Se todos os projetos contêm elementos inovadores, isso traz impacto para os modelos e práticas tradicionais de avaliação.
  • Avaliar o risco não é o mesmo que a incerteza. Se as apostas são altas e os riscos são incalculáveis, etapas adicionais são necessárias antes de lançar o projeto.
  • Um projeto pode realmente ser descrito como inovador se não tiver sido avaliado? e a extensão de sua capacidade de inovação ter sido formalmente avaliada? Precisamos desafiar a idéia de que a inovação é inerentemente boa, uma melhor avaliação do impacto é necessária antes de dimensionar as iniciativas.

Falha

  • Projetos inovadores envolvem uma maior chance de falha – quer na idéia ou no projeto não resultar como pretendido, ou devido a questões de implementação com uma nova abordagem. Como tolerar um grau mais alto de falha no setor público e como a avaliação pode ajudar a aprender a partir de falhas em vez de punir por falhas inovadoras?
  • Funcionários do setor público não devem evitar o risco de falha. Uma maneira de captar isso é a mitigação da incerteza e avaliações de risco oportunas, assim, os projetos no setor público não se tornarão “muito grandes para falhar”.

Confiança (trust)

  • A confiança é um fator ausente nos modelos de avaliação atuais.
  • Qual o impacto da avaliação na construção de confiança em torno de projetos inovadores? A avaliação pode ajudar dando garantias de que o projeto considerou as alternativas e premissas corretas. Mas a prática da avaliação também pode contribuir para a dúvida sobre a inovação, uma vez que as inovações raramente funcionam sem problemas ou melhor do que as iniciativas tradicionais. Como então a avaliação das iniciativas de inovação pode considerar a questão da confiança?
  • Além disso, uma questão ausente no debate atual é parcela de contribuição das inovações no aumento da confiança no governo.

Habilidades

  • A prática de avaliação precisa acontecer em todos os estágios do ciclo de vida da inovação para feedback e aprendizado. Isso significa que a compreensão da avaliação, das habilidades de avaliação e da familiaridade com as práticas de avaliação precisará ser muito mais difundida. 
  • Como as organizações do setor público podem incorporar uma prática de avaliação contínua?

Medo

  • A avaliação é frequentemente associada a ser um exercício de conformidade com um risco de culpa ou falha e consequente medo de ser descoberto. 
  • A história da avaliação no setor público inibe o aproveitamento da aprendizagem que pode advir da avaliação? 
  • Como pode ser fomentado um modelo mais positivo para a avaliação enquanto mantida a responsabilidade dos envolvidos?

Portfolio

  • Projetos de inovação podem muitas vezes ser parte de um portfólio de projetos que considera o risco organizacional e de reputação global. 
  • As avaliações de projetos inovadores devem considerar o estabelecimento de um sistema mais amplo e como os projetos individuais de inovação se inter-relacionam. 
  • Como a avaliação pode considerar os projetos como parte de um portfólio mais amplo? Deve haver fundos de capital de risco para a inovação no setor público (no melhor dos casos, 75% da carteira desses fundos)?

Cultura e contexto

  • O contexto de projetos inovadores é importante. Pode ser muito difícil isolar as contribuições precisas que moldam um projeto inovador e seu impacto. Como as avaliações podem reconhecer a incerteza que pode estar associada à cultura e ao contexto em torno da implementação de um projeto inovador e fornecer uma compreensão útil de como elas podem afetar em um ambiente diferente?
  • Além disso, o contexto influencia também os esforços de avaliação – crises, mudanças de e etc. – afetam a atribuição de impacto. Como encontrar o impacto real das inovações e da influência do contexto em que se situa o projeto?

Prazos

  • Pode levar tempo para uma prática inovadora ter o impacto pretendido. Ao mesmo tempo, é necessário fazer uma avaliação contínua do seu potencial de forma a evitar desperdiçar tempo e recursos com projectos que não venham a realizar o resultado. Como a avaliação pode ajudar a determinar quais projetos devem ser interrompidos antecipadamente e para quais será necessário mais tempo para avaliação?


Vencedores e perdedores

  • A inovação muda o status quo e, portanto, cria vencedores e perdedores, que podem ter opiniões divergentes sobre o valor e a eficácia de um projeto inovador. Como a avaliação pode lidar com essas opiniões divergentes?


Dependências e bloqueios

  • Como a avaliação considera e reconhece que a busca de uma abordagem inovadora pode envolver dependências e bloqueios? I.e. Que a implementação de uma inovação particular pode limitar as opções para outros projetos inovadores e remodelar o contexto para o que pode e deve ser feito.

Métodos de avaliação

  • É provável que muitos dos métodos de avaliação existentes continuem a ser utilizados para projetos inovadores, embora possam ser necessárias mudanças de enfoque ou de perspectiva (por exemplo, o limite em torno do qual são avaliados os benefícios e as perdas). Como os avaliadores podem saber quando uma ferramenta existente pode ser usada como tal ou quando ela pode precisar ser modificada para lidar com as incertezas envolvidas na inovação?


A inovação é política

  • A inovação envolve mudanças e escolhas, e é inerentemente um ato político.
  • Como tal, a avaliação pode sofrer de captura política e sensacionalismo na mídia. Como discutir opções políticas através da avaliação tanto no setor público como no público?

Quem usa e como usam a avaliação?

  • Em alguns casos, a avaliação no setor público é realizada por causa da própria burocracia/processo. No entanto, as avaliações precisam informar seu público de uma forma significativa, e para tal, têm que levar em conta quem a utiliza e como a utiliza, como a informação pode ser consumida da forma mais conveniente e oportuna.

Este post faz parte de uma série resultante da reunião dos pontos de contato nacionais do Observatório de Inovação no Setor Público da OCDE. Veja também as outras postagens:

Informações adicionais:

Fonte: @OPSIgov

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