Professor Fracasso

13 de julho de 2016
 |  Coordenação Sustentação DEIOP
Aconteceu dia 23 de junho o Fuck
Up Nights Brasilia, na Galeria Ponto da 710/711 Norte. O evento é uma genial
iniciativa de celebrar os aprendizados advindos de erros em matéria de
empreendedorismo. Um movimento global nascido no México em 2012 para compartilhar
publicamente histórias de fracasso nos negócios, o Fuck Up Nights atrai
centenas de pessoas pelo mundo todo para ouvir empresários compartilharem as
suas falhas. Hoje, o evento já é realizado em mais de 80 cidades em mais de 30
países como Índia, Espanha e Colômbia.
No evento de
Brasília, apresentaram-se personagens altamente carismáticos. O primeiro foi o graphic
designer goianiense Victor Pontes, que trabalha e colabora dioturnamente
com projetos da economia criativa. Palestrante do 1º TEDxGoiânia em 2011, ele
participou de vários projetos , como apoiador ou fundador: Perro Loco –
Festival de Cinema, Coletivo FAKE FAKE, estúdio de design Zebrabold, o espaço
Fábrica Cultura Coletiva e a marca Aomeio Móveis… ele ressaltou sua inusitada
experiência de, eventualmente, acertar, mas de um jeito errado. Ter sucesso,
mas não no que você desejaria. Fugindo do odiado trabalho em agência de
publicidade, ele criou uma estrutura para oferecer serviços de design gráfico
que acabou se tornando… uma agência de publicidade.
João Pedro Costa estudou economia
na Universidade de Brasília e durante a faculdade foi presidente do CAECO
(Centro Acadêmico de Economia). Começou sua carreira na Brasil Telecom (atual
Oi) e trabalhou na Ambev por 4 anos, onde foi Gerente Regional Administrativo
Financeiro para a Região Norte e Centro-Oeste. Empreendedor há 5 anos, está à
frente de 3 negócios: Look’n Feel, agência de publicidade com 5 anos de mercado
e vários importantes clientes atendidos como Subway, Brookfield e Colégio
Marista; Vai Bem Gelados, marca de picolés artesanais com pouco mais de 1 ano
de vida e mais de 70 pontos de venda na cidade; Be.cause, negócio social recém-lançado que produz camisetas e destina 20% do
seu faturamento para alavancar causas. Sua iniciativa fracassada foi um clube
de amadores de cervejas, soterrada por pequenos detalhes aos quais ele não deu
importância, improvisando soluções fortuitas e gozando de cada vez menos tempo
e energia para planejar corretamente suas ações. 

Bruno Bernardes é o fundador da
Galeria Ponto, um centro cultural e serviço de impressão fine art. Co-fundador
da oficina maker Zero Zero Zero, que ajuda artistas, arquitetos e designers a
concretizar ideias e produtos. Em 2013 lançou a campanha  Eu Quero Brasilia no MoMA, que expôs mais de
40 artistas nesse museu. Seu projeto mais recente é a startup Protagonista, uma
plataforma de fomento à arte de rua que destina parte da receita para artistas
e projetos sociais relacionados com arte urbana. Ele falou dos perigos de não
saber dizer não e da importância de um bom timing.
Último a se apresentar, André
Eloy enxerga no empreendedorismo um caminho para participar do futuro da
sociedade em que vive. Atualmente é verdureiro na São, uma feira digital para
as pessoas comprarem alimentação saudável direto de produtores locais. Ele
falou de quando tentou comprar um avião para receber um evento internacional
–  iniciativa indubitavelmente tão
quixotesca quanto rica de aprendizado.

O evento é uma inspiração para
empreendedores mas deve emocionar sobretudo o pessoal do serviço público,
confrontados com a falta de memória institucional e a crônica aversão ao risco
sempre que aventam a possibilidade de inovação. Experiências importantes se
perdem e erros se repetem incessantemente porque a falha, na gestão
governamental ainda mais que no setor privado, é um estigma, visto como uma
vergonha a se ocultar e fazer esquecer o mais rápido possível. Oxalá possamos
em um futuro próximo aproveitar os ensinamentos preciosos oferecidos pelos
retumbantes fracassos, os erros trágicos, os malogros em escala federal sofridos
por nossos colegas. Quem dera pipocassem eventos governamentais criados à
imagem FuckUp Nights, no qual estudássemos a anatomia da derrota para,
finalmente, deixarmos de reeditá-la.
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3 Comentários

  • Servio disse:

    Ele precisava de um espaço bastante ambicioso pra um evento internacional que ele queria trazer (precisaria , e depois de aventar várias possibilidades ouviu falar dessas carcaças de avião que estariam sendo leiloadas em breve. Ele chegou a levantar dinheiro suficiente mas um outro fez um lance maior. A carcaça em questão está atualmente na beira da estrada em Taguatinga, creio.

  • Izabel Garcia disse:

    Ia ser bem legal ter um evento desse tipo no governo! Mas fiquei curiosa: pq o André tentou comprar um avião? Conte-me tudo, não esconda nada! Hehe

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