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Falar de falhas

22 de novembro de 2017
 |  Joelson Vellozo

 

Em seus estudos sobre a simplificação e eliminação de burocracia, Hélio Beltrão já expressava que: “é necessário eliminar a presunção de fraude mórbida da mente de legisladores e de administradores. É o medo de fraude que cria a complicação burocrática”.[1]

 

 

A disputa “burocracia” x “medo” não é recente. De fato, o discurso “inovador” de que é preciso coragem para vencer o lado ruim da burocracia já nos cerca há algum tempo.

 

 

O encontro do Observatory of Public Sector Innovation da OCDE, que ocorreu nos últimos dias 20 e 21 de novembro em Paris, discutiu bastante este binômio. Novas e velhas recomendações (e analogias) foram feitas sobre correr riscos e experimentar no ambiente burocracia: falhe e aprenda rápido, avance em pequenos passos, faça diferente para ter resultados diferentes. Ou veja a inovação como realizar base jumping: alguns vão ser pioneiros e trarão a segurança para que outros sigam. No limite, vários terão que ser empurrados. (obrigado ao Ministro da Administração Pública da Eslovênia pela analogia!)

 

 

Queremos ter excessivo controle sobre os processos e resultados (é o medo da fraude de que fala Hélio Beltrão?), quando temos evidências suficientemente grandes de que ambos não são satisfatórios! Daí a pergunta: porque não experimentar e “correr o risco” de ter processos e resultados diferentes? Conforme David Donovan, do governo do Canadá, citou no mesmo evento: “Experimentação é a maior demonstração de humildade que um governo pode oferecer”.

 

 

Ficou ainda mais claro pra mim que precisamos abraçar a humildade e assumir que a inteligência para nossas ações e a base para nossas motivações estão do lado de fora das salas onde trabalhamos. Precisamos experimentar ao lado dos usuários serviços públicos. E eventualmente errar — com eles. Lembrando de mais uma frase sensacional registrada no evento da OCDE, proferida por Ira Alanko, do gabinete do primeiro ministro finlandês: “Experimento que falhou é aquele em que você não aprendeu nada”.

 

 

Aprender a partir de experimentação é o fundamento de todo o discurso sobre inovação. E o único caminho para resultados transformadores, que nos tirem do ciclo “medo>conservadorismo>estagnação”.

 

 

Como próximo passo, recomendo um encontro para falar de falhas. O pessoal do igovnights tem um convite a fazer:

 

 

“Sim, vamos falar sobre iniciativas que deram errado, ideias que foram parar na gaveta, situações bizarras e lições aprendidas.

 

 

SAVE THE NIGHT! Conforme prometido, nosso próximo encontro vem aí. Sexta-feira, dia 1° de dezembro, a partir das 19h. Vai ser demais! #igovnights”

 

 

Mais informações no Facebook dos organizadores: https://goo.gl/pKSkWs

 

 

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[1]  SECRETARIA DE MODERNIZAÇÃO E REFORMA ADMINISTRATIVA. Desburocratização: Idéias

Fundamentais. Brasília, 1982, p. 4.

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